Sorvete de morango sem máquina de sorvete

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Dia desses estava lendo um texto sobre ansiedade e a pressa que nos acomete e nos faz perder bons conteúdos e oportunidades para descobrir coisas interessantes. Quantos livros bons deixamos de ler por serem grandes? E normalmente a desculpa é falta de tempo. Se deixarmos, nosso tempo se torna apenas trabalho e a vida voa. Não adianta estarmos produtivos (vale repensarmos o sentido de “produtivos”) o tempo inteiro como verdadeiras máquinas, trabalhando loucamente, nos expondo a estímulos e referências se não nos damos um tempo para organizar as ideias, para pensar, para criar. Quem nunca ouviu falar em ócio criativo? Em minha opinião, de uma mente arejada surgem muito mais ideias e soluções do que de uma cabeça cheia dos afazeres e prazos diários.

Eu não sou o melhor exemplo de vida slow. Pelo contrário! Estou sempre acelerada, fazendo mil coisas simultaneamente, com prazos para cumprir e trabalhos para entregar, além das atividades do dia-a-dia que tomam boa parte do meu tempo. Mas tem horas que essa rotina louca me sufoca e percebo que tenho que pisar no freio e diminuir o ritmo.

Quando deixamos o tempo, ou a falta dele, nos engolir, podemos estar deixando também de viver momentos realmente significativos e prazerosos, que são fundamentais para a sanidade mental e qualidade de vida de qualquer pessoa. Se estamos sempre com pressa, talvez aquele café terapêutico com uma amiga fique mais uma vez para depois e não saia do “vamos marcar” nunca. Se estamos sempre com pressa, não nos damos o prazer de fazer uma receita mais demorada, mas que seja muito compensadora.

E é disso que venho falar hoje… receita demorada e compensadora. Que nos faz exercitar a paciência, deixar de lado o imediatismo, apreciando não só o resultado, mas também o processo. Tenho a impressão de que o sabor daquilo que fazemos com dedicação e calma é muito melhor. Romantismo meu, talvez. Sei lá… deve ser bobagem, mas esse sorvete de morango realmente vale a pena.

Sempre corri de receitas de sorvete por não ter máquina de fazer sorvete. Além disso, sorvete não era algo que fazia meu coração bater forte. Observem que utilizei os verbos no passado. Isso era do tempo em que eu só conhecia sorvete industrializado. Agora tudo mudou! E quem me encorajou foi uma blogueira, que só conheço pela internet, mas que me prendeu por horas em seu blog Dona da Casa. Foi paixão à primeira vista. As fotos são belíssimas!

Em seu blog vi uma receita de sorvete de morango em que ela dizia como proceder caso não tivesse a máquina. Me enchi de coragem, providenciei os ingredientes, fiz algumas pequenas adaptações e no final do dia seguinte estava me deliciando com sorvete de morango totalmente natural, sem corantes ou essências. Gente, é outra coisa!

500ml de leite integral
500ml de creme de leite fresco
4 gemas
1 xícara de açúcar
1 colher (chá) de extrato de baunilha
500g de morangos
1 limão
2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
Primeiramente, aqueça o leite e o creme de leite juntos. Assim que levantar fervura, apague o fogo. Em uma tigela, bata as gemas com o açúcar até ficar um creme clarinho e, em seguida, despeje o leite quente nesse creme. Volte ao fogo, sem parar de mexer, até o creme engrossar. Antes de apagar o fogo, adicione o extrato de baunilha e misture bem. Deixe esfriar e leve à geladeira.
Enquanto o creme gela, pique os morangos, acrescente o suco do limão, duas colheres de açúcar e o vinagre balsâmico e deixe marinando. Quando o creme estiver completamente frio, amasse os morangos, fazendo um purê. Se preferir, use o mixer.
Misture o purê de morangos no creme e leve para o freezer. Se você tiver máquina de sorvete, é só colocar essa mistura na máquina e seguir as orientações do fabricante, mas se não tiver, como eu, fique aqui comigo que vou te contar como fiz.
É aí que começa o exercício da paciência. Depois de mais ou menos duas horas de freezer, bata o sorvete no processador até ficar bem cremoso. Freezer de novo por mais ou menos duas horas. Processador de novo até ficar cremoso. E assim vai… quanto mais você fizer esses passos, mais cremoso fica o sorvete. Sugiro que repita esse processo por pelo menos três ou quatro vezes. Pois é… são muitas horas!

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Deixo aqui algumas considerações. Observei que no freezer obtive resultado melhor do que no congelador da geladeira. Como no congelador o creme congela mais devagar, cria mais cristais de gelo.

Se você quiser uns pedacinhos de morango ou um sorvete meio mesclado, reserve um pouco da marinada de morangos, leve ao fogo apenas para reduzir, como se fosse uma geleia, e adicione apenas depois da última batida, para que não seja tudo triturado no processador. Fiz assim uma vez e adorei. Entretanto, a última vez que fiz, bati tudo de uma vez para ver se ficava bom e ficou ótimo também.

Sei que não é muito simples e rápido. Requer paciência e planejamento. Mas vejo como uma forma de fazer uma pausa na correria cotidiana e me conectar com algo que estou fazendo com carinho para mim e para minha família. Nós merecemos esse carinho. Acredito que o segredo de tudo isso seja o foco não apenas no resultado, mas no processo. Tenho me forçado a curtir mais os processos e é isso que desejo nesse ano que está começando. Mais pausas, mais conexões, mais sabores.

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{Ana}

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