Os bolos da Manu e o que eu aprendi com eles

Sempre gostei de fazer bolo. Desde criança. Mas nunca me interessei muito por aprender a decorar. E, por muito tempo, acreditei que certos cuidados técnicos, tipo peneirar farinha, usar ovos e outros ingredientes em temperatura ambiente, entre outros, eram desnecessários. O mesmo pensava de alguns utensílios de cozinha.

Os bolos que fazia nos aniversários da minha filha eram daqueles que você joga um brigadeiro mole em cima, salpica chocolate granulado e tá pronto. Às vezes ficava até razoável, e às vezes ficava bem tosco. Mas ficavam gostosos e terminava tudo bem. Segui a vida sem me preocupar com isso.

Como contei lá no comecinho do blog, passei por um período sem muito gosto pelo fogão, mas de uns anos pra cá retomei o prazer de cozinhar e venho tentando aprender coisas novas, me aprimorar nas técnicas culinárias, conhecer novas combinações de sabores. Hoje, cozinhar tem um sentido enorme em minha vida. Com os bolos, naturalmente, não seria diferente e vou contar o que tem me motivado a aprender, pelo menos o básico, de decoração.

No meu aniversário do ano passado, meu bolo merecia um expectativa x realidade. Idealizei uma coisa e saiu outra completamente diferente. Mas para algo amador ficou aceitável, sempre com a desculpa de estar gostoso. Fiquei decepcionada com a aparência, mas lidei bem com isso.

Algumas semanas depois, quando minha sobrinha Manu ia completar um mês, sua madrinha encomendou um bolo para seu primeiro “mesversário”. Nessa ocasião eu já vendia alguns bolos para as pessoas próximas, mas só daqueles bolos caseiros, sem recheio nem cobertura. Mas como era pra Manu, eu topava o desafio. Seria meu presente pra ela. Decidimos o sabor, me planejei com relação aos ingredientes, pesquisei algumas receitas, calculei mais ou menos o tempo que iria levar para executar tudo. Iria testar um recheio de ganache de doce de leite que me parecia interessante.

O grande dia chegou e lá fui eu fazer o bolo. A massa ficou ótima. O recheio… não posso dizer o mesmo. Não gostei da textura gelatinosa. O resultado ficou terrível. Um bolo monstrengo, sem firmeza, que me deixou muito chateada. Mesmo que tivesse sido um presente, sem envolver relação comercial de cliente, a pequena Manu merecia um bolo mais bonitinho para a comemoração do seu primeiro mês de vida. Nem preciso dizer que não fiz foto do bolo. Fiquei arrasada, de verdade. E nesse dia decidi aprender mais sobre decoração. Não posso ainda fazer um curso de confeitaria (quem sabe um dia), mas tenho buscado muita informação na internet. E testado. Testado. Testado.

Poucos meses depois, passávamos as férias na casa de minha avó e mais uma vez, faria um bolo para a Manu. Já tinha feito em casa uns bolos legais, bonitinhos. Dessa vez, meu perrengue foi com relação a utensílios, tempo apertado. Senti falta de algumas coisas que aprendi a usar, e mais ainda do tempo necessário para tudo ficar no ponto certo. O bolo saiu melhor do que o do primeiro mês, mas estava bem longe do que eu já era capaz de fazer.

Segui estudando, pesquisando, experimentando. Lá se foram várias fornadas de bolo e paneladas de brigadeiro. Com elas, uns quilinhos sobrando. Em mim e no Nêgo, pois se tem uma coisa que não admito nessa vida é engordar sozinha! hahahahaha

Quando a Manu fez nove meses, uma nova encomenda. Dessa vez eu me sentia mais segura. Estou longe de ter a habilidade, técnica e conhecimento de uma confeiteira, mas senti que evoluí muito nesse tempo que separou um verdadeiro desastre bolístico para esse bolo que vou mostrar a vocês. A mãe da Manu me deu liberdade para escolher sabores e recheios.

Decidi fazer um bolo de baunilha com recheios de beijinho de côco e brigadeiro e cobertura de brigadeiro. Tudo muito simples. Seria entregue envolvido em acetato, com uma fita, na caixa que adotei para bolos com cobertura, depois de pesquisar muitos fornecedores. Fiz tudo conforme tinha aprendido com relação a montagem do bolo, aos pontos dos recheios e com tempo tranquilo para execução de todas as etapas.

Dessa vez, ficou bem bonitinho! E gostoso! Um bolinho feito com muito amor e com o aprendizado de meses de erros e acertos. Ainda falta um longo caminho pela frente, mas fiquei muito feliz com a evolução nesses oito meses que se passaram.

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Tirei várias lições nesse tempo. Aprendi a respeitar as técnicas de confeitaria. Elas são importantes sim e fazem toda a diferença no resultado final do doce. Da mesma forma, não tem como ignorar os tempos dos processos, dos descansos, dos pontos certos. Tem processo que não dá pra acelerar. E, se você fizer com pressa, tem boa chance de dar tudo errado. Quanto maior o planejamento, menor a probabilidade de imprevistos que coloquem o trabalho todo a perder. Nada melhor do que a prática para nos dar segurança. Também aprendi a sempre testar as receitas algumas vezes antes de implementar.

A maior lição de todas é que com dedicação e paciência, conseguimos nos aperfeiçoar e caminhar no rumo dos resultados almejados. Persistindo, dá certo! :)

{Ana}

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