Nem só de acertos vive esse blog

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Sou daquelas que acredita na transmissão de energia em tudo o que fazemos, especialmente na cozinha. Quem nunca, num dia de cão, solou um bolo? E tem dia que as bruxas estão soltas e todos os utensílios resolvem se jogar da bancada, o leite teima em derramar, o prato que está no forno resolve queimar assim do nada… uma beleza! Tudo ao mesmo tempo pra ficar mais emocionante.

E ainda tem aqueles dias em que mesmo com toda a boa vontade do mundo, energia limpa, corpo leve e saltitante, tudo dá errado ou ao menos parece que vai resultar em desastre culinário.

Certo dia, querendo aproveitar a sobra de arroz resultante de um erro de cálculo para um evento, resolvi fazer um lanchinho gostoso (e vegetariano por causa da #chatinha). Já tinha feito o bolo de chocolate à base de arroz cozido e agora queria fazer algo salgado pra gente beliscar no fim de tarde enquanto assistia a algum filme. Pensei na coisa mais óbvia e que há muito tempo não fazia… bolinho de arroz. Só que eu queria fazer no forno, com pouco trigo e recheado com queijo. Idealizei os bolinhos na minha mente e fui pra cozinha.

Dei uma olhada na geladeira pra ver o que tinha disponível e que poderia enriquecer o bolinho. Achei cenoura. Queria algo verdinho e lembrei de uns pedacinhos de brócolis que tinha no congelador. Oh no! Aí as coisas começam a caminhar para o desastre culinário… Era óbvio que colocar brócolis não ia dar certo… quando processasse, seus talos iam soltar água e precisaria de trigo pra dar corpo aos bolinhos. Deixei de usar cebola pra não soltar água, mas não tive o mesmo raciocínio com o brócolis. Na hora eu estava tão avoada que nem pensei nisso. Não deu outra… Fui enrolar os bolinhos e estavam molengas. Bolinhos molengas iam virar panquecas ou qualquer outra coisa parecida no forno. Muito diferente da imagem que idealizei na minha cabeça.

Aí lá vai colocar farinha de trigo pra tentar salvar, afinal de contas sou brasileira e não desisto nunca! No início virou um lambrequeiro e eu não conseguia visualizar como aquilo poderia dar certo. Insisti. Fiz as bolinhas recheadas com quadradinhos de muçarela, levei ao forno.

Assim que tirei o tabuleiro do forno, Nêgo chegou em casa elogiando o cheiro e experimentando os bolinhos que eu julgava que seriam desastrosos. Logo a #chatinha encostou também. Devoramos todos ainda quentes. Nem deu tempo de escolhermos o filme. Não ficaram parecidos com os meus bolinhos ideais, mas ficaram bem gostosos. Eles achando aquele lanche delicioso e eu aliviada por ter persistido, afinal de contas se estivesse em um dia de cão, provavelmente teria jogado aquela massa lambrequenta fora e teria que inventar outra coisa, ainda correndo o grande risco de dar errado.

Nêgo e a chatinha nem faziam ideia de que o lanche daquele dia foi um belo de um erro culinário que acabou sendo salvo aos trancos e barrancos. Vão saber depois de lerem esse causo. rs

O importante de tudo isso é mostrar que cozinha tem que ter flexibilidade e a gente tem que se divertir até com nossos erros. Os erros fazem parte da vida de qualquer cozinheiro, mas o importante é a forma como lidamos com eles. O tal do fazer uma bela caipirinha com os limões que a vida nos dá. ;-)

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{Ana}

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