Metamorfose ambulante de paladar e minha receitinha de homus

É engraçado como nosso paladar vai mudando ao longo da vida. Hoje eu como muita coisa que não comia quando era criança ou adolescente. Acho que me permito mais experimentar novos sabores. Também deixei de comer muita tranqueira que agrada paladar infantil, mas que vai perdendo o sentido. Dia desses, vi uma balinha que eu adorava quando era criança, que há muitos anos não comia, e comprei, prometendo ao Nêgo uma experiência indescritível, viciante. Ele experimentou e ficou decepcionado. Abri uma e adivinhem só… decepção total. O que eu via naquela porcaria? Amadurecimento do paladar! Ainda bem.

Outro fator que nos faz mudar o paladar é a consciência com relação à comida. Não sou nenhum exemplo de comida saudável, muito menos light, mas desde que me entendo por gente, em minha casa sempre se cozinhou. Comida de verdade, com ingredientes de feira. Arroz, feijão, algum tipo de carne, verdura cozida, salada. Quando cresci e saí de casa, trouxe esse costume e interesse pela cozinha comigo. Entretanto, muitos alimentos ultraprocessados ainda faziam parte da despensa. Tempero pronto, suco de caixinha, macarrão instantâneo, hambúrguer congelado, nuggets, biscoito recheado, barrinha de cereal não podiam faltar na lista de compras. Não para o dia-a-dia, mas para quando a correria exigisse. Até que vamos buscando informação, lendo daqui, dali e vemos o quanto esses produtos podem ser prejudiciais. Não é só o fast food do shopping que faz mal.

Parêntesis… Assistam o documentário brasileiro Muito além do peso. Sério! É questão de utilidade pública.

Já me encontrava nesse movimento de cortar produtos industrializados quando me consultei com um nutricionista que me ajudou muito nesse movimento de pensar de outra forma e priorizar os alimentos mais naturais. Nada desse negócio de tudo light e na base do peito de peru. Muito pelo contrário. A saúde e o bolso agradecem! É libertador você passar direto em vários corredores do supermercado sem nem sequer olhar para eles. Ainda consumimos (e adoramos!) algumas coisas processadas, como leite condensado, requeijão cremoso, chocolate em pó, entre outras, mas hoje minha consciência é outra. Troquei iogurte com sabor, ou mesmo aquele cremosinho que é sucesso do momento, por iogurte natural integral. Nada de produto light. Aboli a margarina e como, moderadamente, manteiga sem culpa. Tablete de caldo pronto e pozinho vendido como amor, nem pensar! Fico um tempão olhando os rótulos e aprendi que a maioria dos pães de forma que se dizem integrais, na verdade não o são. Pipoca de microondas deu lugar para milho de pipoca para fazer na panela, que é muito mais gostosa!

Com essa mudança de pensamento, também mudamos nosso paladar. Se antes eu só cozinhava com temperos industrializados que mascaram o gosto da comida, hoje sei o sabor das ervas frescas e não exito em usa-las para perfumar minha comida e realçar os sabores reais dos alimentos. Também inseri na minha alimentação ingredientes que não comia, nem sei porquê. Entre eles, o grão de bico! Que grãozinho rico, versátil e delicioso! Vai bem na salada, na sopa, ou ainda em uma de suas formas mais conhecidas… no homus!

Essa pastinha me conquistou em nosso primeiro contato. Entretanto, só quando ia a restaurantes ou empórios árabes que tinha oportunidade de me aproximar do homus. Eu não sabia o quanto é simples preparar. Agora que aprendi, posso fazer homus sempre que quiser! Olha que liberdade!!!

2 xícaras de grão de bico cozido

1 colher de sopa de tahine

2 dentes de alho

Limão, azeite e sal a gosto

Não uso grão de bico em conserva. Então, coloco um pacotinho de grão de bico de molho por oito horas, troco a água e depois cozinho em panela de pressão por quinze a vinte minutos. Prefiro deixar um pouco menos de tempo e deixar mais um pouquinho se for preciso do que correr o risco de cozinhar demais. Não dispense a água do cozimento. Ela pode ser necessária para ajustar o ponto do homus.

Isso feito, basta colocar todos os ingredientes no processador e processar bem até ficar homogêneo. Vá testando o tempero e sinta se precisa de mais limão, de mais alho. Exercite seu paladar, preste atenção em cada sabor. Sirva com um bom azeite. Já vou avisando… rende bastante. Chame os amigos e aproveite para colocar o papo em dia, servindo algo que você mesmo preparou. Que orgulho!

E se eu não achar o tahine? você deve estar se perguntando nesse momento. Bem, teste fazer sem e seja feliz. Ou pesquise uma receitinha no google e faça seu próprio tahine. O importante é agradar seu paladar. Não esqueça de me contar a sua experiência.

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Pode chamar os amigos e pegar a cerveja!

Tirar ou não tirar as cascas do grão de bico? Eis a questão!

Muita gente me pergunta se tiro as cascas do grão de bico antes de cozinhar. Certamente são pessoas que tentaram fazer isso e viram o quanto essa tarefa pode ser chata e demorada. Ou não… depende da sua disponibilidade, da sua relação afetiva com essa atividade. Eu, sinceramente, não tenho paciência. Já fiz homus dos dois jeitos e não posso dizer que fica a mesma coisa, pois não fica. Entretanto, a diferença na textura não me convenceu a descascar os bichinhos antes de cozinhar. O que faço é, depois de cozidos, tirar aquelas cascas mais soltinhas. Por relação de custo e benefício, eles vão em sua maioria com cascas. E tá tudo certo.

Se servir como dica, eu cozinho o pacote inteiro. O que sobra, congelo com um pouco da água do cozimento e depois uso em salada, sopa ou faço mais homus. Ter o grão de bico já cozido no freezer é muito mais encorajador. Acredite!

{Ana}

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