Canjica, a rainha das festas juninas

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Não sei aí onde você mora, mas aqui em Brasília o frio veio com força, pelo menos para nossos parâmetros, que não temos estações bem definidas. Já tinha tempo que a gente não sabia o que era inverno. E eu tenho gostado, exceto pelo fato de ter que acordar tão cedo pra trabalhar. As comidinhas de inverno são a melhor parte! As de festa junina então… pra mim é a melhor época do ano.

Festas juninas em Brasília são “juninas” apenas no nome, pois acontecem de maio a agosto. Confesso que não vou nas festas mais conhecidas da cidade, pois não gosto do rumo pra onde as músicas foram (eu gosto é de forró pé de serra!), também não tenho muita paciência para filas grandes, para pagar caro por comida nem sempre boa.

Gosto daquelas festas de família, de igreja, de escola. Fico lembrando quando era criança… apesar de muito tímida, adorava dançar quadrilha nas festinhas da escola. Gostava das brincadeiras, das prendas, das roupas coloridas. Tinha prisão, pescaria e correio elegante. Pipoca e muita comida boa. Entre as comidas da época, canjica sempre foi a minha preferida! A rainha da festa! Ia em festas juninas com desejo de comer canjica, mas ficava muito decepcionada quando não eram boas. Ou eram muito doces, ou ralas, ou grossas demais, ou com muito amendoim.

Vale uma observação quanto ao nome. A canjica de que falo é aquela com milho branco. Aqui conhecemos como canjica, mas tem lugar em que se conhece como mungunzá. Tem lugar em que se chama curau de canjica. Tem lugar em que se conhece curau como mingau de milho. Uma confusão!

Então, depois de adulta e de ter muitas decepções com canjicas nas festas, resolvi aprender com minha mãe, que faz uma canjica deliciosa. Depois que aprendi, posso ter canjica o ano inteiro, sempre que der vontade. Só que nessa época parece que fica ainda melhor, combina mais com o friozinho. Tudo que tem cheiro de cravo e canela parece que combina bem com frio.

Na verdade, não tem bem uma receita. Vou dizer como faço, pois todos os ingredientes vão depender do seu gosto. E é muito fácil!

Depois de lavar bem, gosto de colocar o milho de molho de um dia pro outro, mas se não tiver tempo, deixar de molho com água quente por duas horas também funciona. Escorro a água e levo para cozinhar na pressão (deixo uns três dedos de água acima do milho) com dois paus de canela e uns dentes de cravo. Depois de cozido, transfiro o milho para outra panela com apenas um pouco da água do cozimento (mas só porque minha panela de pressão é pequena pra um pacotinho de milho branco). No fogo baixo, vou acrescentando leite aos poucos. Uso leite da roça que é mais gordo e dá um sabor especial. Adoço com leite condensado, mas você pode usar açúcar se preferir. Coloco coco ralado. Se for fresco, é melhor, mas de pacotinho dá certo também. Prefiro aqueles com flocos maiores, sabe? Deixo cozinhar com a panela aberta para ir engrossando. No fim, adiciono umas paçoquinhas esfareladas. O negócio é ter paciência para ela encorpar e ir mexendo sempre para não pegar no fundo da panela, experimentando e ajustando ao seu gosto, adicionando os temperos aos poucos.

Tem gente que prefere fria, mas eu gosto de canjica bem quente! Pra aquecer o coração mesmo.

Muitas vezes, cozinho um pacotinho todo de milho, mas tempero só a metade e congelo o restante do milho. Facilita quando quero canjica a qualquer momento. ;-)

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E pra você… qual é a melhor comida de festa junina?

{Ana}

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